Como você deve saber, faz tempo que os cientistas estão em busca de desenvolver supercondutores – materiais que não oferecem qualquer resistência à condução de eletricidade –, uma vez que suas aplicações podem ser revolucionárias. Mas esses materiais geralmente exigem temperaturas baixíssimas, na ordem dos -180 °C, para manifestar as suas propriedades.

Pois, cientistas do Centro de Aceleração Linear do Departamento de Energia da Universidade de Stanford anunciaram a criação de um novo material cuja estrutura química se parece com um jogo de “Jenga” – e ele teria a capacidade de transmitir corrente elétrica sem perdas e com potencial para fazer isso em temperaturas mais elevadas.

Supercondutor em potencial

O material consiste em um óxido de níquel conhecido como niquelato e faz parte de uma nova família de supercondutores não convencionais parecidos com os cupratos – uma classe de óxidos de cobre que, segundo acreditam os cientistas, poderiam manifestar as suas propriedades condutoras em temperatura ambiente.

(Fonte: Sci Tech Daily / SLAC National Accelerator Laboratory / Greg Stewart / Reprodução)

No entanto, é bastante complicado conseguir produzir o niquelato com uma estrutura atômica capaz de suportar a condutividade, uma vez que esse material se torna instável em temperaturas muito elevadas, normalmente na ordem dos 600 °C, necessária em sua criação. Então, para contornar essa dificuldade, primeiro, os cientistas usaram a perovskita, um mineral que contém oxigênio, neodímio e níquel e cuja estrutura atômica tem forma de pirâmide dupla.

Depois, os pesquisadores cobriram esse material com estrôncio, para que os elétrons que compõem a perovskita pudessem fluir mais livremente por sua estrutura – e esse processo acabou por remover átomos de níquel do material, deixando espaços vazios nela como acontece quando jogamos a uma partida de Jenga.

Após fazerem isso, os cientistas envolveram o mineral em papel alumínio e selaram o material no interior de um tubo de ensaio. O próximo passo consistiu em remover uma camada de átomos de oxigênio do material com o uso de uma substância química – e o resultado foi a formação de uma nova estrutura atômica: o niquelato coberto em estrôncio.

Outro candidato para a lista

Sim, nós concordamos que esse processo todo soa pra lá de complicado e difícil de compreender para quem não é supercraque em química. Mas, trocando em miúdos, o que os pesquisadores conseguiram produzir com ele foi um material supercondutor capaz de transmitir eletricidade em temperaturas variando entre os 9 e 15 Kelvin – ou o equivalente a mais ou menos – 264 e – 258 °C, respectivamente. Sim, incrivelmente frias, mas existe potencial para que o niquelato atinja temperaturas mais elevadas.

(Fonte: Sci Tech Daily / SLAC National Accelerator Laboratory / Greg Stewart / Reprodução)

É importante esclarecer que as pesquisas envolvendo esse material ainda estão em estágios bem iniciais de desenvolvimento, mas, é possível que o niquelato leve a uma revisão das teorias atuais relacionadas ao funcionamento dos supercondutores não convencionais, uma vez que esse material talvez não tenha o magnetismo observado nos cupratos. Mas, a descoberta de um supercondutor que funcione em temperatura ambiente – ou bem próxima a ela – pode causar uma revolução na eletrônica, na transmissão de energia e em outras tecnologias, e parece que os experimentos com o niquelato vão por esse caminho.



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